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sábado, 4 de novembro de 2017


Renata Borges
Felipe Araujo 

Ilustração: Ítalo Rodrigo
Coordenação: Prof. Sinézio Fernandes Maia

Ao iniciarmos a organização de um orçamento familiar, muitos acreditam que o simples fato de colocar no papel os gastos fixos e variáveis mensais fará tudo funcionar conforme o planejado. É comum que após o primeiro mês, a pessoa retorne à planilha e perceba que “as coisas não saíram conforme planejado”, “não sabia que gastava tudo isso”, “mas pareceram gastos que eu nem conhecia”, esta pessoa vai achar que fez algo de errado e muitas vezes pensa: “isso não é para mim!"
Fonte: http://cooperativaelcafetal.com
/gastos-inesperados/

Ocorre que muitas vezes deixamos de planejar os Gastos Inesperados, não acreditamos que eles possam acontecer. De fato, a maior parte do tempo eles não ocorrem, o problema é quando eles ocorrem. Seja alguém que bateu no seu carro no estacionamento e foi embora, uma doença que traz uma lista de remédios caríssimos para ser controlada ou até mesmo um presente que você ganha (uma bolsa de estudos) que vai demandar uma contrapartida financeira de sua parte (a compra de livros). Qualquer dessas situações podem gerar desequilíbrios no orçamento que não são facilmente controlados; o que é pior, podemos levar meses ou até anos para nos recuperarmos financeiramente.

Como ilustração, imagine a situação em que bateu o carro ou teve alguma urgência hospitalar com o custo de R$ 20.000,00. A perguntas que ficam nessa situação são:


  1.  Qual o custo de não me prevenir? 
  2. Quanto tempo levaria para me recuperar?


 A simulação que fizemos para você consiste da comparação entre a situação em que o indivíduo esta segurado e a que não está.


Principais lições da simulação:
  • O indivíduo que esta segurado gastou um adicional de R$ 190,00 por mês
  • O não segurado esteve apto poupou apenas R$ 1.520,00 a mais antes do imprevisto
  • O não segurado teve desequilíbrio orçamentário, levando 25 meses (quase 2 anos!) para se recuperar completamente
  • Não adicionamos custo de empréstimo, o que pioraria a situação
Esse exercício foi tão simples, quanto elucidativo com relação à importância de se antecipar aos imprevistos! 

Aqui vão algumas dicas: 
Fonte: https://www.conseguirdineroya.com
/gastos-inesperados-como-controlarlos/

No orçamento familiar é sempre importante reservar mensalmente, uma parte da nossa renda para o que normalmente chamamos de fundo de emergência. A primeira reação nos ao sugeri-lo é: qual o tamanho dele? Os livros que tratam do assunto, normalmente nos fala em algo em torno dos seis meses do consumo mensal da família, mas isso também varia de família para família, conforme as características de cada um. Não existe regra de ouro, para chegar nestas conclusões é importante analisar os principais imprevistos que podem trazer impactos negativos nas despesas e receitas de cada família e ponderar. Nesse sentido, é importante analisar a rotina, bens que a família possui e planejar. 

Propomos a seguinte reflexão para analise dos fatores de risco ao orçamento da família. Observemos inicialmente a natureza das receitas ou do salário, e depois provocaremos o leitor a pensar acerca dos gastos que podem ser antecipados acompanhado de um pequeno plano de emergência para quando os imprevistos ocorreram.   

- Na parte das Receitas ou salários, temos:

A principal fonte de renda vem de um trabalhador autônomo? Provavelmente esta família passa por períodos de maiores incertezas com relação à renda disponível para o próximo mês, por isso ela acaba tendo que fazer um fundo de reserva maior para contemplar estas incertezas mensais, além das incertezas maiores, como uma possível falta de renda por prolongados períodos.

A principal fonte de renda vem de um trabalhador assalariado da iniciativa privada? Aqui que temos uma relativa certeza da renda do próximo mês, mas não temos certeza da renda no longo prazo. Assegure-se de ter o suficiente para um período de desemprego, como a regra dos 6 meses de renda mensal.

A principal fonte de renda vem de um funcionário público, militar ou assemelhado? Neste caso, temos uma maior certeza da renda do próximo mês e no longo prazo. As reservas para falta de receitas podem ser menores do que nos exemplos anteriores.

A principal fonte de renda são aluguéis ou investimentos? Uma das situações mais confortáveis, pois já foi acumulado um patrimônio que assegura a sobrevivência da família por meio apenas dos rendimentos. É importante que exista aqui, uma pequena reserva para que pequenas alterações das despesas não levem a consumir o patrimônio ao invés de apenas os rendimentos, de forma a assegurar a renda futura. 

- Já com as despesas, prevenir sempre que possível, é a palavra de ordem:
  • Sem saúde não conseguimos trabalhar para obter renda, nem desfrutar da vida, por isso a importância de cuidar dela. Sempre que o orçamento permitir, seria bom não depender apenas do Serviço Público de Saúde, contratando um plano de saúde e/ou seguro saúde para si próprio e os familiares
  • Indiferente de se morar em casa própria ou alugada, sempre haverá despesas de manutenção com a moradia da nossa família. Aqui uma pequena reserva mensal já ajuda a resolver muitos problemas. Temos também a opção de buscar por estes serviços auxiliares juntos aos prestadores de serviços disponibilizados pelo seguro de carro.
  • Vale lembrar ainda que para boa parte dos imprevisto existe a possibilidades de contratação no mercado de uma apólice de seguros. Essa alternativa é importante principalmente para autônomos e profissionais liberais terem maior tranquilidade na sua rotina de trabalho.
  • Além disso, esta reserva deve ser guardada em um investimento com liquidez, para que possa ser utilizada no momento necessário sem trazer prejuízos financeiros. 
Por fim, é importante que as pessoas entendam que está reserva de emergência vai permitir a família escolhas mais conscientes e tranquilas, em momentos que normalmente são de muito estresse para a maioria das famílias.


Fonte: https://familia.com.br/9568
/4-gastos-inesperados-para-quais-casais-esquecem-de-se-planejar

- Mas, e quando o imprevisto pega de calças curtas? A postura deve ser de minimizar o prejuízo o mais rápido possível, buscando alternativas com baixo custo de crédito. Tempo é dinheiro nesse momento. 


  • Verifique se não existem alternativas de se obter uma renda extra para cobrir este gasto. Podemos fazer um trabalho pontual que nos traga renda extra, podemos vender algo que já não utilizamos mais, de forma a obter boa parte de recurso para cobrir o gasto inesperado.
  • Para o restante do dinheiro, verifique as possibilidades de crédito que estão disponíveis para você neste momento: Algum parente ou amigo próximo pode lhe auxiliar? Posso buscar um empréstimo consignado? Posso parcelar o resto da despesa em um carnê junto à loja? Há saldo no limite do cartão de crédito para pagar o restante da compra?
Lembrando que esta deve ser a sequência para buscar o credito, primeiro com parentes e amigos que não devem cobrar juros abusivos; consignado que traz uma taxa de juros embutida, mas é um juro “amigável”; e o carnê da loja sendo preferível ao cartão de credito, que se atrasar o carnê, ele não tem o juro abusivo do cartão.



Passado o sufoco, busque reduzir sua despesa mensal para iniciar a reserva para futuros imprevistos e mantenha o foco no orçamento familiar. Se achou tudo isso muito difícil, complicado e não sabe por onde começar, procure a Equipe da Sala de Ações. Estamos prontos para lhe auxiliar.



Renata Borges possui MBA em gerenciamento de projetos pela FGV, é estudante de economia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e trabalha há um ano e meio no Projeto Sala de Ações. Atualmente é integrante da equipe do Escritório Financeiro da Sala de Ações, sendo responsável por orçamento familiar e controle de dívidas. 

Felipe Araujo de Oliveira é estudante de economia na Universidade Federal da Paraíba e há cinco anos trabalha no Projeto Sala de Ações. Atualmente coordena a equipe do Escritório Financeiro Sala de Ações.

Coordenador: Prof. Dr. Sinézio Fernandes Maia é doutor em economia pelo PIMES/UFPE e pós-doutor em economia financeira pela UFRGS. É idealizador e coordenador do Projeto Sala de Ações. 

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