Comprei Sem Pensar:
Os Perigos do Consumo Impulsivo entre Jovens
Assessora: Cecília Gabriely Santo da Silva - Sala de Ações - UFPB
26/01/2026 - 17h:30
Na sociedade contemporânea, marcada por estímulos constantes e pela fluidez digital, os hábitos de consumo vêm se transformando rapidamente, especialmente entre os jovens da Geração Z, nascidos entre 1995 e 2010. Essa geração cresceu conectada e hoje vivencia uma realidade em que o consumo está não apenas acessível, mas também socialmente valorizado. O resultado disso é um fenômeno cada vez mais recorrente: o consumo impulsivo. A facilidade de compra, somada à busca por satisfação imediata, tem levado adolescentes a comprometer seus recursos antes mesmo de compreenderem sua real capacidade de pagamento — um comportamento que contraria os princípios básicos da racionalidade econômica.
É comum que decisões de consumo entre adolescentes sejam orientadas menos pela análise custo-benefício e mais por fatores emocionais, sociais e midiáticos. Nesse cenário, o consumo deixa de atender às necessidades reais e passa a exercer a função de gratificação momentânea, mesmo que isso implique ultrapassar os limites da própria restrição orçamentária. Os jovens, muitas vezes, consomem para se sentirem incluídos, atualizados ou reconhecidos, ignorando os impactos dessas decisões sobre seu equilíbrio financeiro.
Dados da Serasa, de 2024, revelam que aproximadamente 16 milhões de brasileiros entre 18 e 30 anos estão inadimplentes, o que representa cerca de 25% da população negativada do país. Dentro desse recorte, a Geração Z já registra mais de 34% de seus membros em situação de endividamento, indicando uma fragilidade estrutural em sua formação econômica. Esse comportamento também reduz o consumo sustentável de longo prazo e pode afetar, de forma agregada, o dinamismo da economia, à medida que compromete a capacidade de poupança e investimento das famílias.
No ambiente digital, o estímulo ao consumo é incessante. Plataformas de e-commerce e redes sociais operam com algoritmos que identificam preferências e oferecem produtos com apelo personalizado, reduzindo o tempo entre o desejo e a compra. Além disso, influenciadores digitais tornaram-se agentes de marketing altamente eficazes. Ao exibirem produtos como símbolos de sucesso e pertencimento, reforçam a ideia de que consumir é sinônimo de realização. Para os jovens, que ainda estão em processo de construção de identidade e autonomia financeira, esse ambiente representa um desafio constante à racionalidade econômica.
O consumo impulsivo compromete a capacidade de planejamento, enfraquece o controle de gastos e reduz a margem de manobra diante de choques financeiros. Entre os efeitos mais recorrentes estão o endividamento precoce, a baixa capacidade de poupança e a deterioração da saúde financeira. Além disso, estabelece-se um ciclo de consumo, dívida e culpa, que pode gerar impactos emocionais e comprometer a tomada de decisões futuras.
Para reverter esse cenário, é necessário formar consumidores mais conscientes desde cedo. A educação financeira, nesse contexto, assume um papel estratégico ao desenvolver habilidades como planejamento, priorização de gastos e controle orçamentário. A família é o primeiro espaço de aprendizagem econômica, onde é possível estimular a diferenciação entre necessidades e desejos e desenvolver a noção de escolha entre alternativas, considerando seus custos e benefícios. Compreender que toda escolha financeira envolve um custo de oportunidade é fundamental para a construção de uma mentalidade crítica e responsável.
No ambiente escolar, esse processo deve ser complementado por discussões sobre comportamento do consumidor, influência da mídia, consumo responsável e atividades práticas. Trabalhar com exemplos concretos, como simulações de orçamento pessoal ou familiar, definição de metas de curto e longo prazo e análise de preços, permite que os estudantes compreendam o valor do dinheiro ao longo do tempo e a importância de tomar decisões fundamentadas. Refletir sobre temas como propaganda, status de consumo e crédito fácil contribui para a formação de uma cultura crítica, favorecendo o desenvolvimento de agentes econômicos mais preparados.
Além disso, o uso de ferramentas simples, como planilhas financeiras e aplicativos de controle de gastos, pode auxiliar na criação de hábitos saudáveis. Estabelecer metas financeiras claras — como poupar para um curso, uma viagem ou um bem desejado — ajuda o jovem a maximizar sua utilidade ao longo do tempo, em vez de sucumbir à satisfação imediata. Práticas como o adiamento da compra, ao esperar um período antes de decidir, e a revisão de prioridades mensais também contribuem para uma tomada de decisão mais racional.
Ao compreender que o ato de consumir carrega implicações econômicas, sociais e emocionais, o adolescente amplia sua visão sobre o papel que desempenha no sistema econômico. Promover esse tipo de reflexão é, portanto, não apenas uma ação pedagógica, mas uma contribuição concreta para o desenvolvimento de uma economia mais equilibrada.

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