quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

O relatório, intitulado de radar macroeconômico, é a ferramenta utilizada pelo projeto Sala de Ações – UFPB para investigar a existência de correlação entre as notícias relacionadas a conjuntura macroeconômica nacional e internacional e o desempenho das bolsas no mundo. Para isso, é analisado os principais índices do continente americano, europeu e asiático: Ibovespa, Dow Jones, DAX, FTSE 100 e SSEC. Além disso, é feito também a análise do fechamento do Ibovespa e volume financeiro observado na bolsa de valores de São Paulo, com o intuito de averiguar o comportamento dos investidores.

Na segunda-feira, a bolsa de valores de São Paulo não foi aberta. Nesse dia, em Wall Street, o Dow Jones fechou o pregão em alta de 1,60%, com os investidores tendo no radar as eleições presidenciais e para o Congresso dos EUA. Na Europa, após pior semana desde março, os índices DAX e FTSE 100 fecharam em alta de 1,97% e 1,39%, respectivamente, sustentados pelos dados positivos dos índices de atividade econômica. Na Ásia, o índice SSEC fechou o pregão em leve alta de 0,02%, com expansão do PMI manufatureiro, se mantendo acima dos 50 pontos, que indica crescimento do setor.

Na terça-feira, depois da queda da semana anterior, o Ibovespa voltou do feriado fechando o pregão em alta de 2,16%, mesmo com BC sinalizando pouco espaço para novo corte da Selic neste ano e frisando está atento ao quadro fiscal do Brasil, além do índice de confiança empresarial, que recuou 0,4 ponto em outubro, após 5 altas consecutivas. Outro fator que esteve no radar, não só dos investidores nacionais, mas também dos mundiais, foram as eleições nos EUA. Com o democrata, Joe Biden, sendo o favorito para ganhar o pleito para presidente e os agentes esperando, com isso, acordo de estímulo econômico, Dow Jones fechou o pregão em alta de 2,06%. No continente europeu, DAX e FTSE 100 continuaram o movimento de recuperação ao avançar 2,59% e 2,33%, respectivamente, mas manteve o avanço da Covid-19 no radar, assim como as eleições nos EUA. Na China, SSEC fechou o pregão em alta de 1,42%, com a aposta em uma recuperação econômica mais rápida e forte perspectiva de vendas para carros movidos a novas energias.

Na quarta-feira, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 1,97%, com os investidores monitorando as eleições nos EUA, que, até então, não parecia seguir o que as pesquisas apontavam, uma vitória tranquila dos democratas para a presidência e senado. Ademais, na cena interna, o problema das contas públicas continuou preocupando os agentes. Em Wall Street, com Donald Trump tendo reais chances de ganhar a eleição, o Dow Jones fechou o pregão em alta de 1,34%, com expectativas de que as políticas não sofram grandes alterações. Na Europa, DAX e FTSE 100 fecharam o pregão em alta 1,95% e 1,67%, respectivamente, com os investidores migrando capitais para os setores mais estáveis, o que esteve relacionado com a incerteza do resultado da eleição nos EUA. Na China, SSEC fechou o pregão em alta, sustentada pelo avanço das ações de bancos.

Na quinta-feira, o democrata Joe Biden obteve vitória em Estados-chaves para a sua vitória, o que os investidores esperam que abra espaço para o acordo de estímulo econômico. Esse fato esteve relacionado com o crescimento do Ibovespa em 2,95%, apesar da preocupação com as contas públicas ter permanecido. Nos EUA, o comportamento do Dow Jones também esteve relacionado de forma positiva com o andamento da eleição ao avançar 1,95%. Os ganhos se estenderam também para os índices do continente europeu. Apesar da comissão europeia afirmar que a segunda onda da Covid-19 apagou a possibilidade de uma retomada rápida da economia, DAX e FTSE 100 avançaram 1,98% e 0,39%. Além disso, o SSEC fechou o pregão em 1,30% e vem reagindo bem à grande possibilidade de vitória de Joe Biden, visto que Donald Trump tem problemas diplomáticos, políticos e econômico coma a China.

No último pregão da semana, com Joe Biden se aproximando cada vez mais da vitória, uma vez que conseguiu vitória nos estados da Pensilvânia e Geórgia neste dia, o Ibovespa avançou 0,17%, mesmo com a questão fiscal do país e o IPCA crescendo 0,86%. Nos EUA, o Dow Jones fechou em queda 0,24%, tendo como cenário interno a vitória cada vez mais próxima de Joe Biden e Donald Trump entrando com recurso na justiça para contestar resultados da votação. Na Europa, com a incerteza dos rumos dos EUA, pois, até então, era provável que a presidência e a câmara fossem para os democratas, mas o senado para os republicanos, DAX e FTSE 100 fecharam em direções opostas. O SSEC recuou 0,24%, mesmo com resultados parciais a favor de Joe Biden, mas na semana 45 avançou 2,7%.

Na semana 45, o Ibovespa acumulou ganhos de 7,42%, saindo de 93.952 pontos para 100.925 pontos. Enquanto isso, o volume financeiro se manteve no intervalo de R$ 24,393 bilhões e R$ 29,853 bilhões, atingindo o seu máximo na quinta-feira e o mínimo na sexta-feira. Ademais, apenas o SSEC e o Dow Jones não acumulam perdas no ano de 2020.

 

Coordenador: Prof. Dr. Sinézio Maia

Analista Acadêmico: Igor Manoel B.R. Mendes











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