O
relatório, intitulado de radar macroeconômico, é a ferramenta utilizada pelo
projeto Sala de Ações – UFPB para investigar a existência de correlação entre
as notícias relacionadas a conjuntura macroeconômica nacional e internacional e
o desempenho das bolsas no mundo. Para isso, é analisado os principais índices
do continente americano, europeu e asiático: Ibovespa, Dow Jones, DAX, FTSE 100
e SSEC. Além disso, é feito também a análise do fechamento do Ibovespa e volume
financeiro observado na bolsa de valores de São Paulo, com o intuito de
averiguar o comportamento dos investidores.
Na segunda-feira, embora com anúncio de mais de trezentas mil
contratações na indústria, o Ibovespa fechou o pregão em queda de 0,24%, com
preocupações em relação à situação fiscal brasileira, indicador do comércio
recuando em outubro e aumentos de casos da Covid-19 nos EUA e Europa. Nos EUA,
o Dow Jones fechou o pregão em queda de2,29%, com avanço de casos da Covid-19 e
impasse em torno do acordo de estímulo econômico. Na Europa, DAX e FTSE 100
recuaram 3,71% e 1,16% respectivamente, com os investidores monitorando os
balanços do 3º trimestre e observando o avanço da Covid-19. No continente asiático,
SSEC recuou 0,82%, pressionado pelo setor de consumo, após maior fabricante de
bebidas alcoólicas do país, Keiwchow, apresentar lucro abaixo do esperado.
Na terça-feira, após dados apontarem aumento de 2,6% da dívida pública
em setembro, desentendimento entre o ministro Paulo Guedes e o deputado Rodrigo
Maia sobre a dificuldades de votação relacionas com as privatizações das
estatais, e crescente avanço da Covid-19 no mundo, o Ibovespa recuou 1,40%. Em
Wall Street, Dow Jones estendeu as perdas do dia anterior, apesar de bons
resultados das empresas de tecnologia, com o impasse em relação ao acordo de
estímulo econômico, avanços dos casos da Covid-19, além das eleições dos EUA no
radar, o Dow Jones recuou 0,80%. Na Europa, a continuação do avanço dos casos
da Covid-19 esteve relacionada com as quedas de DAX e FTSE 100 em 0,93% e
1,09%, respectivamente. Na China, SSEC fechou o pregão em território positivo
ao crescer 0,10%, após crescimento dos lucros das indústrias chinesas está
relacionado com os ganhos deste setor.
No pregão de quarta-feira, o Ibovespa fechou o pregão em queda de 4,45%,
repercutindo a aversão ao risco no mundo relacionado com o avanço da COVID-19,
novos “lockdowns” nacionais na Europa
e com os investidores mantendo a cautela à espera do anúncio da Selic e o tom
da comunicação do COPOM em meio a indícios de aceleração inflacionária. O
receio em tomar risco, já comentado, dominou a cena também nos EUA e Europa.
Com isso, os índices Dow Jones, DAX e FTSE 100 recuaram 3,43%, 4,17% e 2,55%,
respectivamente. Na China, o SSEC avançou 0,46%, sustentado pelos ganhos das
ações de consumo e saúde em meio à expetativas de recuperação econômica e novas
listagens de fintechs.
No dia 29/10, mesmo com cenário político instável e o indicador de
confiança de serviços recuando, o Ibovespa fechou em alta de 1,27%. Isso esteve
relacionado com a manutenção da taxa de juros, BC comunicando que a aceleração
inflacionária é um problema de curto prazo, crescimento do número de
empregados, IGP-M perdendo força e cenário econômico positivo nos EUA. Em Wall
Street, o Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,52%, após crescimento de 33,1%
do PIB no 3º trimestre (taxa anualizada) e números abaixo do esperado e menor
que na semana anterior dos pedidos de seguro-desemprego. Na Europa, com o banco
central mantendo a taxa básica de juros e segunda onda da Covid-19, os índices
europeus recuaram, exceto o DAX, que avançou 0,32%, sustentado pelos setores de
tecnologia e comunicação. Na China, o SSEC fechou o pregão em alta de 0,11%,
após as grandes empresas do setor de consumo divulgarem resultados robustos no
3º trimestre.
Na sexta-feira, em meio à continuação dos anúncios dos balanços
corporativos e com prosseguimento do avanço da Covid-19 nos EUA e Europa, o
Ibovespa fechou o pregão em queda de 2,72%. Nos EUA, o Dow Jones fechou o
pregão em queda de 0,59%, com baixo desempenho das empresas de tecnologia e
avanço da Covid-19. No plano de fundo, esteve a cautela à espera das eleições
presidenciais. Na Europa, apesar do crescimento do PIB acima de 12% na zona do
euro, o avanço da COVID-19 continuou pesando sobre o sentimento dos
investidores e, com isso, DAX e FTSE 100 fecharam o pregão em queda de 0,36% e 0,08%,
respectivamente. Na Ásia, o SSEC fechou o pregão em queda de 1,47%, após
crescimento dos lucros das empresas de alimentos e bebidas ficarem abaixo do
esperado.
Na semana 44, o Ibovespa acumulou perdas de 7,21%, saindo de 101.259
pontos para 93.952 pontos. Enquanto isso, o volume financeiro se manteve no
intervalo de R$ 21,981 bilhões e R$ 33,950 bilhões, atingindo o seu máximo na
quinta-feira e o mínimo na segunda-feira. Ademais, apenas o SSEC não acumula
perdas no ano de 2020.
Coordenador: Prof. Dr. Sinézio Maia
Analista Acadêmico: Igor Manoel B.R. Mendes
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