quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

O relatório, intitulado de radar macroeconômico, é a ferramenta utilizada pelo projeto Sala de Ações – UFPB para investigar a existência de correlação entre as notícias relacionadas a conjuntura macroeconômica nacional e internacional e o desempenho das bolsas no mundo. Para isso, é analisado os principais índices do continente americano, europeu e asiático: Ibovespa, Dow Jones, DAX, FTSE 100 e SSEC. Além disso, é feito também a análise do fechamento do Ibovespa e volume financeiro observado na bolsa de valores de São Paulo, com o intuito de averiguar o comportamento dos investidores.

Na segunda-feira, embora com anúncio de mais de trezentas mil contratações na indústria, o Ibovespa fechou o pregão em queda de 0,24%, com preocupações em relação à situação fiscal brasileira, indicador do comércio recuando em outubro e aumentos de casos da Covid-19 nos EUA e Europa. Nos EUA, o Dow Jones fechou o pregão em queda de2,29%, com avanço de casos da Covid-19 e impasse em torno do acordo de estímulo econômico. Na Europa, DAX e FTSE 100 recuaram 3,71% e 1,16% respectivamente, com os investidores monitorando os balanços do 3º trimestre e observando o avanço da Covid-19. No continente asiático, SSEC recuou 0,82%, pressionado pelo setor de consumo, após maior fabricante de bebidas alcoólicas do país, Keiwchow, apresentar lucro abaixo do esperado.

Na terça-feira, após dados apontarem aumento de 2,6% da dívida pública em setembro, desentendimento entre o ministro Paulo Guedes e o deputado Rodrigo Maia sobre a dificuldades de votação relacionas com as privatizações das estatais, e crescente avanço da Covid-19 no mundo, o Ibovespa recuou 1,40%. Em Wall Street, Dow Jones estendeu as perdas do dia anterior, apesar de bons resultados das empresas de tecnologia, com o impasse em relação ao acordo de estímulo econômico, avanços dos casos da Covid-19, além das eleições dos EUA no radar, o Dow Jones recuou 0,80%. Na Europa, a continuação do avanço dos casos da Covid-19 esteve relacionada com as quedas de DAX e FTSE 100 em 0,93% e 1,09%, respectivamente. Na China, SSEC fechou o pregão em território positivo ao crescer 0,10%, após crescimento dos lucros das indústrias chinesas está relacionado com os ganhos deste setor.

No pregão de quarta-feira, o Ibovespa fechou o pregão em queda de 4,45%, repercutindo a aversão ao risco no mundo relacionado com o avanço da COVID-19, novos “lockdowns” nacionais na Europa e com os investidores mantendo a cautela à espera do anúncio da Selic e o tom da comunicação do COPOM em meio a indícios de aceleração inflacionária. O receio em tomar risco, já comentado, dominou a cena também nos EUA e Europa. Com isso, os índices Dow Jones, DAX e FTSE 100 recuaram 3,43%, 4,17% e 2,55%, respectivamente. Na China, o SSEC avançou 0,46%, sustentado pelos ganhos das ações de consumo e saúde em meio à expetativas de recuperação econômica e novas listagens de fintechs.

No dia 29/10, mesmo com cenário político instável e o indicador de confiança de serviços recuando, o Ibovespa fechou em alta de 1,27%. Isso esteve relacionado com a manutenção da taxa de juros, BC comunicando que a aceleração inflacionária é um problema de curto prazo, crescimento do número de empregados, IGP-M perdendo força e cenário econômico positivo nos EUA. Em Wall Street, o Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,52%, após crescimento de 33,1% do PIB no 3º trimestre (taxa anualizada) e números abaixo do esperado e menor que na semana anterior dos pedidos de seguro-desemprego. Na Europa, com o banco central mantendo a taxa básica de juros e segunda onda da Covid-19, os índices europeus recuaram, exceto o DAX, que avançou 0,32%, sustentado pelos setores de tecnologia e comunicação. Na China, o SSEC fechou o pregão em alta de 0,11%, após as grandes empresas do setor de consumo divulgarem resultados robustos no 3º trimestre.

Na sexta-feira, em meio à continuação dos anúncios dos balanços corporativos e com prosseguimento do avanço da Covid-19 nos EUA e Europa, o Ibovespa fechou o pregão em queda de 2,72%. Nos EUA, o Dow Jones fechou o pregão em queda de 0,59%, com baixo desempenho das empresas de tecnologia e avanço da Covid-19. No plano de fundo, esteve a cautela à espera das eleições presidenciais. Na Europa, apesar do crescimento do PIB acima de 12% na zona do euro, o avanço da COVID-19 continuou pesando sobre o sentimento dos investidores e, com isso, DAX e FTSE 100 fecharam o pregão em queda de 0,36% e 0,08%, respectivamente. Na Ásia, o SSEC fechou o pregão em queda de 1,47%, após crescimento dos lucros das empresas de alimentos e bebidas ficarem abaixo do esperado.

Na semana 44, o Ibovespa acumulou perdas de 7,21%, saindo de 101.259 pontos para 93.952 pontos. Enquanto isso, o volume financeiro se manteve no intervalo de R$ 21,981 bilhões e R$ 33,950 bilhões, atingindo o seu máximo na quinta-feira e o mínimo na segunda-feira. Ademais, apenas o SSEC não acumula perdas no ano de 2020.

Coordenador: Prof. Dr. Sinézio Maia

Analista Acadêmico: Igor Manoel B.R. Mendes











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